Criteriosamente Errado #4 - O Mundo Do Contra Parte 1 e 2 (TMJ Ed 29 E 30)
Imagine um cenário onde um novo filme vem fazendo um sucesso exacerbado, imagine que todos o idolatrem e comecem a superestimar sua qualidade. Agora coloque dentro dessa cena, a presença de uma figura atípica, que procura sempre contrariar tudo e todos, cujo sua perseverança nessa ‘missão’ seja tão dedicada que torna-se cômica. Agora pense em como essa figura reagiria a esse novo filme e a sua repercussão, com certeza não será uma reação normal. É disso que as edições 29 e 30 da TMJ tratam, e com muito humor e um roteiro bem divertido, elas se estabelecem como edições icônicas da revista.

Capa da edição 29
Um dos problemas da TMJ, era que em várias edições (principalmente entre as primeiras) se subestimava os leitores. Com o objetivo de atingir o público jovem, no caso os adolescentes, as edições falharam por apresentarem uma visão muito estereotipada das pessoas dessa idade, o que provocou um afastamento de um público mais velho. No entanto, com o passar das edições houve um avanço tanto nesse quesito, quanto nos próprios roteiros e artes da revista. E as edições em pauta se encaixam nisso.
A edição começa acertando pela premissa simples, mas que atiça a curiosidade. O personagem Do Contra intriga todos pela sua natureza, e ver ele protagonizando uma HQ com público-alvo mais velho deixa qualquer um curioso. Colocar esta personagem dentro de um universo consumido pela cultura de massa, onde todos se veem compartilhando pensamentos iguais, no caso da revista, gostando do mesmo filme. Gera uma reflexão sobre a perda de identidade e a influência capitalista na artes (e no pensamento). Ou seja, de maneira despretensiosa, a HQ trabalha conceitos estudados até pela Escola de Frankfurt. Por mais que essa análise soe ‘complexa’, a HQ trata esses conceitos de maneira bem simples e direta, utilizando seu humor irônico característico e abusando do carisma das personagens.
Como dito anteriormente, o Do Contra é um personagem com uma característica bastante atípica, ele sempre contrária tudo. E ao ler a revista não é difícil perceber o quanto essa característica é determinante para o andamento e humor da história. Confesso que várias vezes me peguei ansioso pelas próximas ‘contrariadas’ que ele faria e curioso em como tudo iria ser concluído, levando se em conta o cenário e o protagonista dele. Do Contra obviamente não faz tudo sozinho, diversos personagens já conhecidos da Turma figuram nesta edição, trazendo suas características marcantes dentro desse universo homogêneo. Vale ressaltar, no entanto, o papel de coo-protagonista que a Mônica desempenha nessa edição, estando ao lado do Do Contra em grande parte dos momentos e desempenhando o importante papel de conferir ao Do Contra características diferentes, fazendo com que deixe de ser apenas um contrariador, mas alguém que ama e que vê verdade no que acredita e não apenas contraria por contrariar.Uma edição simples e que de maneira muito despretensiosa insere reflexões importantes na cabeça de jovens, obviamente merece alguma atenção. Ver personagens tão carismáticos, lidando com problemas que nem parecem tão ‘problemas’, mas que são sérios. E tudo isso feita de uma maneira tão divertida e bem-humorada, sem se levar a sério, claramente que merece atenção. Se você quer rir, se apaixonar novamente por personagens que já conhecia e quem sabe tirar algum proveito disso, leia essas edições.

Bem colocado a ideia do contra. Agora lendo a sua critica percebo essa premissa. Eu tbm me vejo ansiosa esperando uma nova edição. A arte ficou muito legal. Os personagens são cativantes igual ao infantil. Gostei muitoooo.
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